Este glossário busca esclarecer o significado de termos usuais no contexto dos projetos, cálculos e textos relativos à Geometria da Insolação.
Ângulo entre a) um segmento de reta que se origina no observador e vai até o Sol e; o b) segmento de reta definido pela projeção horizontal do primeiro segmento sobre o plano horizontal.
“Medida do ângulo formado entre a projeção horizontal do raio e o raio propriamente dito. Em outras palavras, medida do ângulo formado entre o plano horizontal e o segmento de reta desde o observador até o Sol aparente. Dado um plano vertical que contenha o observador (O), um ponto no horizonte (H) e o Sol (S), é o ângulo SÔH formado pelos segmentos OS e OH. Seu valor varia de 0° até 90°.” (FERNANDES 2023)
Figura 1. Altura solar e sua representação via circunferências concêntricas no plano horizontal. Fernandes (FEERNANDES 2023).
Ângulo no plano horizontal, medido a partir de uma direção de referência (geralmente o Norte ou o Sul).
Azimute solar (AZI) é a “Medida do ângulo entre a linha observador-Norte e a projeção do raio no plano horizontal (Figura 4, à esquerda). Dado o plano horizontal contendo o observador (O), o Norte Geográfico (N) e a projeção horizontal do Sol (S’), AZI é o ângulo NÔS’ formado entre os segmentos ON e OS’. Seu valor aumenta no sentido horário, variando de 0° até 360°. Na carta solar, são plotados raios indicando os azimutes a cada 10°”. (FERNANDES 2023)
Figura 2. Azimute solar AZI (à esquerda). Linhas indicadores de azimutes, de 10° em 10° (ao centro). Coordenadas cartesianas planas X e Y da projeção do Sol no plano horizontal (à direita).
Implementado por Júlio César em 46 a.C., foi o predecessor do atual calendário Gregoriano e introduziu o conceito de anos bissextos a cada quatro anos.
No contexto técnico e astronômico, é frequentemente associado ao conceito de Dia Juliano, uma contagem contínua de dias que facilita o cálculo preciso da posição orbital da Terra e, consequentemente, da declinação solar.
Diagrama representando os percursos solares aparentes na abóbada celeste. Nas projeções azimutais, centradas no observador, as cartas solares representam os percursos do Sol e as alturas e os azimutes solares ao longo desses percursos.
No caso das cartas geradas no Antropo.Sol, a carta solar pode ser bidimensional (2D), projetada no plano horizontal, ou tridimensional, projetada na abóbada celeste (3D).
Termos associados: sunchart, sun chart, sunpath, sun path, sunpath2d, sunpath3d, 3D Sun-Path.
Figura 3. Ilustração do Método de Vitruvio (VITRUVIO 1914) para obtenção da vista lateral da projeção dos percursos aparentes do Sol na abóbada celeste em torno de um observador na latitude aproximada de Roma, 41,6° (ou) e esboço de carta solar deduzida por Fernandes (2023) para a mesma localidade. Adaptado de Vitruvio (1914) e complementada por Fernandes (2023).
Figura 4. Carta solar bidimensional (carta solar 2D). Projeção ortogonal. Localidade: Curitiba, PR. elaborado no AntropoSol.Web.
Figura 5. Carta solar tridimensional (carta solar 3D). Projeção ortogonal. Localidade: Curitiba, PR. elaborado no AntropoSol.Web.
Projeção horizontal da linha circular de pontos de mesma altura solar (ao centro). Geralmente, as cartas solares apresentam a projeção de várias linhas circulares de mesma altura solar espaçadas de 10° em 10°. (FERNANDES 2023)
Figura 6. Sistema imaginário topocêntrico, centrado no observador (à esquerda). Altura solar e projeção horizontal de uma linha de pontos de mesma altura solar (ao centro). Linhas circulares de mesma altura solar, espaçadas de 10° em 10° (à direita). (FERNANDES 2023)
Trata-se da semiesfera imaginária (também chamada abóbada celeste), situada acima do plano do observador, com raio infinito, sobre a qual se imagina que ocorrem as evoluções dos astros celestes. Corresponde à metade superior da esfera celeste cujo centro é o observador.
Figura 7. Cúpula ou semiesfera celeste. (FERNANDES 2023).
As coordenadas cartesianas são elementos informacionais de um sistema, que une a álgebra e a geometria, que utiliza valores numéricos para especificar a posição exata de um ponto no plano ou no espaço.
Figura 8. Coordenadas cartesianas X e Y da projeção horizontal do ponto S. (FERNANDES 2023).
Declinação solar (DEC) é o ângulo formado entre o plano do equador da Terra e a linha Terra-Sol.
Figura 9. Declinação: ângulo formado entre o plano do equador da Terra (esfera cinza) e a linha Terra-Sol (o Sol apresentado como a esfera branca, no centro do sistema). (FERNANDES 2023).
Utilizada para calcular a diferença, em minutos, entre o tempo solar verdadeiro (baseado na posição real do Sol na abóbada celeste) e o tempo solar médio (utilizado para manter os horários uniformes). A diferença objeto do cálculo ocorre devido à excentricidade da órbita da Terra e à inclinação do eixo terrestre.
Termos associado: Equation of Time.
Superfície imaginária de forma esférica, de raio um (infinito), na qual ocorrem os movimentos aparentes do Sol. É dividida em meia esfera do dia e meia esfera da noite. O ponto mais alto da meia esfera do dia é chamado Zênite e o ponto mais baixo da meia esfera da noite é chamado Nadir (FERNANDES 2023).
Figura 10. Sistema imaginário topocêntrico, centrado no observador (à esquerda). Altura solar e projeção horizontal de uma linha de pontos de mesma altura solar (ao centro). Linhas circulares de mesma altura solar, espaçadas de 10° em 10° (à direita). (FERNANDES 2023).
Diagrama sobre o qual são traçadas linhas indicando os momentos nos quais a sombra atinge determinada extensão da abertura em questão. Geralmente, são destacadas as linhas nas quais a sombra cobre 50% e/ou 100% da abertura.
Termos associados: ShadowMap, Shadows, Sun Shadows, ShadeMap.
É o ponto imediatamente abaixo do observador na esfera celeste. Ou seja, o ponto mais baixo da meia esfera da noite.
Figura 11. Sistema imaginário topocêntrico, centrado no observador e com o Zênite imediatamente acima do observador (FERNANDES 2023).
Posição do Sol no céu para um observador situado na superfície da Terra. No campo da arquitetura, das engenharias e da geografia, geralmente é dada por coordenadas esféricas, mais especificamente pelo sistema horizontal (ou altazimutal). Nele, a posição do Sol é definida por dois ângulos: Altura solar e Azimute solar. Neste caso, o comprimento do raio Observador-Sol é irrelevante (considera-se o Sol na esfera celeste).
Termos associados: SunPosition, Sun Position.
Elemento de uma edificação elaborado para barrar ou regular a incidência da radiação solar direta. Usualmente, os quebra-sóis são elementos específicos que se diferenciam e destacam na geometria da edificação. No entanto, outros elementos podem cumprir a função principal dos quebra-sóis, tais como: marquises, beirais, toldos e coberturas que se estendem para além do corpo principal da edificação.
Os termos associados são: Brise, Brise-soleil, Brise-soleil, Brises-soleil, Solar shading device, External shading device.
Figura 12. Quebra-sol horizontal. elaborado no AntropoSol.Web.
Figura 13. Quebra-sol vertical aplicado na lateral direita da janela (direita para quem olha de dentro para fora do ambiente). Planta baixa. elaborado no AntropoSol.Web.
Figura 14. Quebra-sol vertical aplicado na lateral direita da janela (direita para quem olha de dentro para fora do ambiente). Vista tridimensional. elaborado no AntropoSol.Web.
O antropoSol utiliza cartas solares elaboradas segundo projeções azimutais, mais especificamente nas projeções ortogonal, estereográfica e equidistante. As projeções azimutais do céu são aquelas nas quais as alturas solares são representadas por círculos concêntricos e os azimutes são linhas retas que se cruzam no centro desses círculos.
Essas projeções se assemelham às projeções azimutais da superfície terrestre descritas por Sossa e Korol (2017), nas quais as linhas das alturas solares são substituídas pelas linhas das latitudes e as linhas dos azimutes são substituídas pelas linhas dos meridianos.
Figura 15. Esquema geral do sistema de projeção azimutal. (FERNANDES 2023).
Os sistemas azimutais mais recomendados para a produção de cartas solares são: o ortogonal, o equidistante e o estereográfico. A projeção gnomônica é bastante utilizada para a produção de relógios do Sol.
“Em se tratando do resultado, mais especificamente da projeção das alturas solares, o sistema equidistante oferece um meio termo entre a projeção ortogonal e a projeção estereográfica Figura 16 . Na projeção ortogonal, próximo da borda, as distâncias entre as diferentes alturas solares projetadas são bastante reduzidas. Na projeção estereográfica, bastante ampliadas. Enquanto isso, na projeção equidistante as circunferências relativas às alturas solares são espaçadas uniformemente.” (FERNANDES 2023)
Figura 16. Projeções ortogonal (à esquerda), equidistante (ao centro) e estereográfica (à direita). (FERNANDES 2023).
Trata-se de um método de representação gráfica que projeta a abóbada celeste tridimensional em um plano bidimensional, mantendo uma relação linear entre a altura solar e o raio do diagrama. Em outras palavras, faz com que, na representação, as circunferências referentes às alturas solares estejam equidistantes entre si.
“Atualmente, não se dispõe de um método para operacionalização da projeção equidistante via geometria descritiva, de maneira gráfica. As projeções são realizadas utilizando trigonometria. Mas, recorrendo à geometria descritiva para ilustrar esse método de maneira didática, a projeção das alturas solares pode ser pensada de duas maneiras: a) projeção sobre um plano horizontal situado na altura do Zênite, acima do observador (figura à esquerda); b) projeção sobre um plano horizontal situado na altura do observador (figura no centro).” Fernandes (2023)
Figura 17. Projeção equidistante das alturas solares sobre um plano horizontal situado na altura do Zênite (à esquerda); Projeção equidistante das alturas solares sobre um plano horizontal situado na altura do observador (ao centro). c) Relação entre: 1) a diferença entre o ângulo de 90° (Zênite) e 2) a altura solar (ALT) versus a relação entre o RAIO’ e o RAIO na projeção equidistante (à direita). (FERNANDES 2023).
“(...) segundo Szokolay, as cartas solares utilizando a projeção equidistante foram desenvolvidas em 1948 (Szokolay, 2008). Esta data é bastante recente e não deve ser tomada como definitiva, pois a geometria envolvida na projeção equidistante, embora sofisticada para os leigos, é relativamente simples para aqueles familiarizados com a trigonometria. Até onde este autor conseguiu verificar na bibliografia, diferentemente do que aponta Szokolay, os primeiros a utilizar o sistema de projeção equidistante para representar o céu foram os antigos egípcios. Posteriormente, o sistema de projeção também aparece em livros didáticos muçulmanos do século XI e é descrito em termos matemáticos no século XVI (Sossa; Korol, 2017). Na edição de 1963 de Arquitetura e Clima, Olgyay apresentou e ajudou a difundir as cartas solares equidistantes (Olgyay, 2008). Segundo Szokolay (2007), a projeção equidistante é a mais utilizada em cartas solares nos Estados Unidos.
Alguns autores, como Szokolay (2007), argumentam que a representação equidistante não caracteriza um método de projeção e que seria apenas um sistema de coordenadas. Provavelmente, esse argumento se deve ao fato de que não se dispõem de um sistema estruturado para realizar a projeção equidistante utilizando a geometria descritiva. Por isso, se recorre à geometria analítica, mais especificamente à trigonometria. Na opinião do autor do presente artigo, a afirmação de Szokolay é equivocada. A projeção equidistante constitui, sim, um sistema de projeção, pois conta com todos os elementos necessários, embora a posição do centro projetivo seja variável.” (FERNANDES 2023)
Termos associados: projeção polar linear ou azimutal equidistante.
Figura 18. Exemplo de carta solar equidistante para a cidade de Curitiba. AntropoSol.
Na projeção estereográfica da abóbada celeste podem ser imaginadas duas posições para o plano horizontal de projeção: a) na altura do Zênite (à esquerda); ou b) aos pés do observador (Figura 19ao centro). Na projeção estereográfica, o valor da projeção horizontal do RAIO sempre será menor do que o valor na projeção ortogonal (Figura 19à direita) (FERNANDES 2023).
Figura 19. Projeção estereográfica das alturas solares: projeção sobre um plano horizontal situado na altura do Zênite, acima do observador (à esquerda); projeção sobre um plano horizontal situado na altura do observador (ao centro). Projeção estereográfica da distância observador-Sol (RAIO’) (à direita). (FERNANDES 2023).
“Segundo Sossa e Korol (2017), a projeção estereográfica do céu foi proposta no século II a. C., pelo astrônomo grego Hipaco (190 – 126 a.C.) e pode ser entendida como uma consequência da projeção gnomônica. Segundo Szokolay (2007, p. 10), trata-se do sistema mais utilizado para representação de cartas solares.” (FERNANDES 2023)
Figura 20. Exemplo de carta solar estereográfica para a cidade de Curitiba. AntropoSol.
“A projeção ortogonal é o método de projeção mais utilizado no desenho técnico e em programas de computador. Nele, as posições do Sol na abóbada celeste são projetadas perpendicularmente ao plano de projeção horizontal.” (FERNANDES 2023)
Figura 21. Projeção ortogonal das circunferências indicadoras das alturas solares (à esquerda). Projeção reduzida da distância observador-Sol (RAIO’), representação bidimensional (ao centro). Projeção reduzida da distância observador-Sol (RAIO’), representação tridimensional (à direita). (FERNANDES 2023).
Figura 22. Exemplo de carta solar ortogonal para a cidade de Curitiba. AntropoSol.
É o ponto mais alta da esfera celeste, posicionado exatamente acima do observador. Ou seja, o ponto mais alto da meia esfera do dia.
Figura 23. Sistema imaginário topocêntrico, centrado no observador e com o Zênite imediatamente acima do observador. (FERNANDES 2023).
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